Culpa: por que às vezes sentimos culpa mesmo sem saber por quê?
- luciana bittencourt
- 7 de abr.
- 1 min de leitura
“Eu sei que não fiz nada errado… mas mesmo assim me sinto culpado.”
Essa experiência é mais comum do que parece. Às vezes alguém se sente culpado depois de dizer algo simples, de recusar um pedido ou até de fazer algo que desejava muito.
De onde vem esse sentimento?

Na teoria de Sigmund Freud, existe uma instância psíquica chamada superego. De forma simplificada, ela funciona como uma espécie de voz interna ligada às normas, expectativas e proibições que fomos incorporando ao longo da vida.
Essa voz pode ajudar a organizar a convivência social, mas também pode se tornar bastante exigente. Em alguns casos, ela cobra perfeição, responsabilidade absoluta ou uma espécie de ideal impossível de alcançar.
Quando isso acontece, o sentimento de culpa pode aparecer mesmo quando não existe uma falta clara.
Jacques Lacan acrescentou uma observação interessante: às vezes o superego não apenas proíbe — ele também exige. Como se dissesse ao sujeito que ele deveria fazer mais, ser mais, desejar mais… e ainda assim nunca fosse suficiente.
Na análise, explorar esses sentimentos pode ajudar a entender de onde vêm certas cobranças internas e que lugar elas ocupam na história de cada pessoa.
Porque, em alguns momentos, a culpa não aparece apenas quando erramos.Às vezes ela aparece justamente quando começamos a desejar algo para nós mesmos.
E isso pode levar a uma pergunta curiosa: de quem é essa voz que me cobra tanto?



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